Iniciativas das redes de ensino durante a pandemia e para a volta às aulas são mapeadas em pesquisa nacional
19-06-20
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Foi lançado, nesta sexta-feira (19/6), o estudo “A Educação não Pode Esperar”, que compila ações de redes públicas de ensino durante o período de pandemia e as estratégias para o retorno das aulas. A pesquisa, realizada entre os meses de maio e junho deste ano, é resultado de um esforço conjunto entre 26 Cortes de Contas brasileiras, incluindo o Tribunal de Contas do Estado do Ceará, o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) e o Comitê Técnico da Educação do Instituto Rui Barbosa (CTE-IRB).
O estudo mostra que 82% das redes municipais de ensino afirmam ofertar conteúdos pedagógicos aos estudantes neste momento; enquanto 18% ainda não haviam se organizado para tal – sendo que, destas, metade não tinham estratégias formuladas para o ensino remoto.
De acordo com o presidente do CTE-IRB, conselheiro Cezar Miola, a pandemia de Covid-19 trouxe um forte impacto, de certa maneira silencioso na área da educação, e que deve ter seus efeitos prolongados por décadas. “Além da questão da aprendizagem, que é a mais imediata, temos o risco do aumento da evasão e do abandono escolar gerado pela fragilização do vínculo entre os estudantes e as escolas”, explica.
No total, foram analisadas 249 redes de ensino, de todas as regiões do País, sendo 232 municipais e 17 estaduais. Elas responderam a questionários online e participaram de entrevistas com técnicos dos Tribunais de Contas. As informações foram sistematizadas e analisadas pelo do Iede e pelo CTE-IRB. “É um estudo para entender melhor o cenário atual e conhecer boas práticas que estão sendo feitas”, afirma Ernesto Faria, diretor executivo e fundador do Iede. “Há muita assimetria de informação, as redes buscam inovar, mas, muitas vezes, em um sistema de tentativa de erro, sem saber o que outras estão fazendo”, completa.
No âmbito do TCE Ceará, as ações foram operacionalizadas pela Gerência de Avaliação de Políticas Públicas, da Secretaria de Controle Externo (Secex). Os municípios cearenses participantes da pesquisa, previamente selecionados pelo Iede, foram: Fortaleza, Crato, Quixeramobim, Aquiraz, Crateús, Jucás, Marco, Granja, Trairi, Amontada, Barroquinha, Massapê, além da Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc).
Segundo o presidente do TCE Ceará, conselheiro Valdomiro Távora, o trabalho feito visa contribuir com a melhoria da governança nas administrações, a fim de garantir a destinação correta dos recursos através de políticas públicas eficientes para ao cidadão.
Da Corte cearense participaram os servidores José Ricardo Moreira Dias, Francisco das Chagas Evangelista, Luiz Gonzaga Dias Neto, Priscila Lima de Castro, Giovanna Augusta Moura Adjafre e Marcos Teixeira Bezerra.
Aspectos pedagógicos, retorno às aulas e distribuição de alimentos
Entre as redes de ensino que estão disponibilizando conteúdos, observa-se, em grande parte delas, uma mescla de ferramentas online e offline. Aos estudantes que têm acesso à internet, aulas via plataformas como Google Classroom, aplicativos ou vídeos e arquivos no site da Secretaria Municipal de Educação. Aos que não têm acesso à internet, atividades impressas que podem ser retiradas na escola — algumas redes disseram entregar os materiais nas residências dos estudantes que têm dificuldade ir até a unidade de ensino, utilizando para isso o transporte escolar ou carro próprio da Secretaria.
Dentre as práticas identificadas em redes de ensino, o estudo elencou o caso da rede municipal de Barroquinha (CE), que realiza monitoramento do acesso e da realização das atividades neste período de suspensão de aulas presenciais, utilizando para isso ferramentas diversas, contemplando estudantes que possuem internet e aqueles que retiram os materiais nas escolas. A rede municipal de ensino de Amontada (CE) foi apontada pelo uso de aplicativos, como WhatsApp ou grupos no WhatsApp, para se comunicar com os responsáveis pelos estudantes.
O estudo contempla também como as redes estão se preparando para a volta às aulas: 84% das redes municipais garantem que estão se planejando. Entre as estaduais, 15 de 17. Além disso, 79% das redes municipais afirmam ter estratégias específicas para evitar o abandono e a evasão – questões apontadas por especialistas como cruciais. Todas as 17 estaduais afirmaram que estão se preparando para enfrentar esses desafios.
Outros pontos mapeados foram em relação ao cumprimento da Lei nº 13.987, que autorizou, em caráter excepcional, a distribuição de gêneros alimentícios adquiridos com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) aos pais ou responsáveis pelos estudantes da rede pública; e também sobre o quanto as redes se sentem seguras juridicamente sobre as ações que adotam neste momento.
Acesse aqui a íntegra do
estudo e o
resumo.