A célebre frase sobre a democracia atribuída a Winston Churchill de que é um sistema ruim, mas superior a qualquer outro, permanece atual ao traduzir um paradoxo da vida política: a democracia está longe de ser perfeita, mas continua sendo o melhor mecanismo já concebido para limitar o poder e permitir sua renovação pacífica. Seus defeitos são conhecidos desde a Antiguidade. Aristóteles já alertava para os riscos da demagogia e da manipulação das paixões populares.
Recentemente, estive em Orlando, na Flórida, e ouvi, mais de uma vez, de brasileiros que moram lá, críticas ao Estado. Algumas pessoas diziam que o Brasil seria atrasado porque tem governo demais, burocracia demais, interferência demais. Já os Estados Unidos, segundo essa visão, prosperariam porque deixam mais espaço para a liberdade individual e para a iniciativa privada. O curioso é que esse discurso era feito justamente em uma cidade cuja organização urbana mostra o contrário.
As instituições constitucionais de muitas democracias têm enfrentado, nos últimos anos, o complexo dilema de proteger a ordem democrática sem corroer os próprios princípios que a legitimam. No Brasil, essa tensão se tornou especialmente aguda. Polarização, amplas campanhas de desinformação em massa e pressões sobre instituições essenciais deslocam para o centro do desenho constitucional a pergunta sobre os limites da autodefesa democrática sob as exigências do Estado de Direito. Autores clássicos oferecem categorias úteis para compreender — e disciplinar — essa resposta.
O recente estudo da Brookings Institution, "Turning the Data Center Boom into Long-Term, Local Prosperity", traz uma advertência que o Ceará deveria levar muito a sério: datacenters podem mobilizar investimentos bilionários, mas isso não se traduz automaticamente em desenvolvimento econômico duradouro. Em geral, esses empreendimentos produzem um ciclo intenso, porém breve, de empregos na construção, alguma arrecadação e ganhos pontuais de infraestrutura, mas tendem a deixar poucos postos permanentes e limitado enraizamento produtivo, salvo quando há estratégia pública clara e bem negociada.
A menos de 300 metros de minha casa há uma padaria excelente. Ir até lá a pé, no entanto, é uma experiência desagradável. No caminho, um prédio de alto padrão ergueu uma muralha de mais de três metros e abandonou a calçada, hoje degradada e transformada em ponto de uso de drogas. Do outro lado da rua, a calçada é árida, sem uma única árvore, tornando a caminhada um percurso sob calor escaldante. Isso ocorre no Meireles, área com o metro quadrado mais caro de Fortaleza.
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