Brasil: condenado a crescer pouco?

13-09-25

Na última semana, um renomado Professor de economia celebrou, nas páginas do Valor Econômico, uma façanha digna de registro: a economia brasileira, antes crescendo menos de 4% em 2024, agora cambaleia para menos de 2% em 2025. Motivo de festa, disse ele: finalmente estamos mais próximos do "PIB potencial", aquela entidade etérea, invisível e aparentemente inimiga do bem-estar coletivo. Como bônus, as pressões inflacionárias diminuíram. Aleluia.

O detalhe incômodo é que, se o Brasil quiser um dia sair da periferia do mundo desenvolvido, precisaria crescer a taxas de pelo menos 5% ao ano, e não se deleitar em esfriar a economia para preservar a santidade de um número arbitrário. Mas parece que no Brasil há uma verdadeira conspiração contra o crescimento, e muitos economistas - em especial os de corte mais ortodoxo - figuram como personagens centrais dessa ópera bufa. O Banco Central, com sua taxa de juros monumental, é talvez o maior protagonista: uma instituição que parece acreditar que prosperidade é ameaça e que recessão é cura.

O curioso é que, como já notou o Financial Times em recente editorial, os economistas vêm perdendo tração mundo afora. Suas previsões falham diante de um mundo turbulento; suas prescrições, vendidas como ciência, soam cada vez mais como dogma.

O que oferecem às sociedades são "verdades amargas": abrir mão de empregos em nome do comércio livre, cortar benefícios para agradar à aritmética fiscal. Não espanta que populistas com respostas fáceis lhes tomem a palavra.

No Brasil, contudo, o enredo assume contornos tragicômicos: muitos economistas e professores de economia vibram quando o país cresce menos. É como se a meta nacional fosse administrar a mediocridade, não superá-la.

Precisamos de um debate menos reverente à ortodoxia e mais ousado em busca de fórmulas para crescer de modo vigoroso, sustentável e inclusivo. Ou seguiremos condenados a aplaudir, solenemente, cada vez que nossa renda per capita se distancia um pouco mais da dos países que preferimos chamar de "desenvolvidos".

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