Corte de Contas do Ceará estrutura área de informações estratégicas

03-12-15

congr portalO TCE Ceará está estruturando uma área de informações estratégicas de apoio às unidades de controle externo, que identificará as ferramentas necessárias para adoção das melhores práticas de coleta, organização, armazenamento e proteção de dados, em conformidade com a legislação vigente e normas aplicáveis ao Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN).


A adesão à Rede Nacional de Informações Estratégicas para o Controle Externo (Infocontas) foi feita pelo presidente Valdomiro Távora que, em 2013, assinou Acordo de Cooperação Técnica com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas (Atricon) e o Instituto Rui Barbosa (IRB). Távora considera essencial a troca de experiências e importante o apoio entre os TCs na execução de trabalhos específicos do controle externo.


soraia congresso portalO objetivo da Rede é criar condições para melhorar a eficiência e eficácia das atividades dos Tribunais de Contas por meio do intercâmbio e da aplicação de técnicas de inteligência, com uso de base de dados e informações gerais para tomada de decisões em processos de fiscalização.

O “Uso de informações estratégicas no controle externo” foi o tema abordado pelo conselheiro Sebastião Ranna (TCE-ES), coordenador da Rede Infocontas da Atricon, nesta quarta-feira (2/12) no XXVIII Congresso Nacional dos Tribunais de Contas, em Pernambuco.

Segundo Ranna, quem fiscalizar, o que fiscalizar, por que fiscalizar, e como e quando fiscalizar são as perguntas que devem ser respondidas pelos órgãos de controle, que tendem a ser mais eficientes e eficazes se fizerem uso da inteligência, permitindo-lhes troca informações de maneira célere, segura e confiável.

 “A Rede Infocontas nasceu com este objetivo”, disse o conselheiro capixaba. O conselheiro declarou, também, que os Tribunais de Contas se deparam com questões complexas para fiscalizar, a exemplo do déficit dos fundos próprios de previdência, e por isso devem sempre recorrer ao trabalho em rede. Ele recomendou o acesso ao Labcontas do TCU para extrair subsídio às auditorias locais, permitindo agilidade na fiscalização e racionalidade no trabalho.

Paralelamente, informou que a Atricon deverá montar o seu próprio laboratório de informações no Tribunal de Contas do Distrito Federal. Esse laboratório  deverá estar pronto até o final de 2016 e vai permitir que os Tribunais de Contas dos Estados e Municípios compartilhem informações com órgãos de controle como o COAF, o Ministério Público, o Banco Central e a Polícia Federal.

Corrupção


10 medidas portalO procurador da República Fábio George Nóbrega, em palestra sobre “Atuação dos Fóruns de Combate à Corrupção”, defendeu um trabalho em rede entre os órgãos de controle e a sociedade civil para combater a corrupção. Segundo ele, o Brasil perde atualmente para a corrupção cerca de 2,3% do seu PIB, aproximadamente R$ 120 bilhões, quatro vezes o que o governo federal investe no Bolsa Família anualmente.


Esse  é o motivo, segundo o procurador, pelo qual o país não consegue significativos avanços no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), apesar de ser a oitava maior economia do mundo. “A corrupção institucional contamina o tecido social do país. A população desacredita na democracia. De acordo com um levantamento do Latinobarômetro, apenas 45% da população não abriria mão do regime democrático”, afirmou.


O procurador citou ainda a recente pesquisa do Datafolha que aponta que, para 34% da população, a corrupção é o problema mais sério do país. “A sociedade espera que nós arregacemos as mangas para combater à corrupção”, completou. Ele defendeu uma mudança no paradigma de atuação, em rede e que conte com a participação da população.


Dados Processados x Dados Abertos


O especialista em governança do Banco Mundial, Tiago Carneiro Peixoto, falou sobre o “Papel das redes de controle social no combate à corrupção”. Ele defendeu a entrega de dados processados, e não apenas abertos, à população. “Processar é colocar os dados de maneira fácil, enquanto os dados abertos são planilhas com códigos. Não basta publicar os dados abertos, o governo e os entes do controle externo precisam processar os dados para que eles sejam mais acessíveis”.

 

Com fotos da Assessoria de Comunicação da Atricon.


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