O segundo dia do VII Congresso Internacional de Direito e Sustentabilidade, realizado nesta sexta-feira (1º/12) no Tribunal de Contas do Estado do Ceará, iniciou com dois painéis, que abordaram "Sustentabilidade, Tributação e Regulação" e "Poder Judiciário e Sustentabilidade".
Primeira a se apresentar, a advogada da União, Tereza Villac, explicou que as licitações sustentáveis estão associadas ao objetivo da produção e desenvolvimento sustentável, previsto na Agenda 2030 da ONU, mas menos de 1% das compras do setor público podem ser assim caracterizadas. Uma das causas disso, em sua visão, é a falta de capacitação de servidores que atuam nessa atividade, os quais muitas vezes não chegam a saber o que é desenvolvimento sustentável.
Luciana Betiol, professora da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, disse que precisamos substituir um modelo mental linear e cartesiano por um sistêmico. Betiol explicou essa teoria fazendo uma analogia com o corpo humano. “Se formos pensar nosso planeta como se fosse o corpo humano, quando nós tomamos, por exemplo, um remédio para o coração precisamos verificar que impacto ele gera nos outros órgãos. Será que ele não vai atacar o fígado, será que ele não vai reduzir a atividade do rim?”, questionou. “Se nós atuamos numa economia que é danosa para o meio ambiente ou para a sociedade, nós precisamos ter um olhar sistêmico dessa decisão, e hoje isso não acontece”.
A terceira palestra foi apresentada pelo presidente do Instituto Rui Barbosa, Sebastião Helvecio. O conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais falou sobre o protagonismo que os órgãos de controle, incluindo as Cortes de Contas, têm no assunto. “Temos uma missão fundamental para dar efetividade às questões da sustentabilidade”, afirmou. Para o membro do TCE mineiro, essas instituições precisam ser parceiras da administração pública para que sejam colhidos benefícios para a sociedade, e que essa proximidade não deve ser confundida com promiscuidade. A evolução da missão institucional dos TCs, conforme expôs Helvecio, leva a essa forma de atuação, passando de personagens apenas verificadores da conformidade às leis para agentes que contribuem para o aperfeiçoamento da gestão pública por meio da avaliação de programas e políticas públicas e seus resultados.Rua Sena Madureira, 1047 - CEP: 60055-080 - Fortaleza/CE - (85) 3125.8336 - Ouvidoria - (85) 3125.8335 / (85) 3125.8334
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